TDAH – Tratamentos Alternativos / Complementares

Sabemos que, no momento atual, o tratamento considerado mais eficiente para o TDAH é a combinação de medicação e intervenção terapêutica (em especial de abordagem comportamental ou cognitivo-comportamental). No entanto, com crescentes preocupações a respeito da banalização do diagnóstico e de sua medicalização, cresce a busca por alternativas aos tratamentos tradicionais. E elas estão surgindo com força cada vez maior, embora a maioria esteja num estágio inicial da investigação de sua efetividade.

Os dados a seguir têm por objetivo apresentar algumas dessas alternativas, e baseiam-se, em sua maioria, em estudos de casos, tendo apresentado eficácia para o tratamento de algumas pessoas, mas sem ainda ter passado pelo teste da generalização dos resultados, ou seja, apesar de terem funcionado em alguns pacientes, não necessariamente funcionarão em todos. Trazemos essas informações para expandir o conhecimento acerca dessas possibilidades, enquanto recomendamos que, caso haja interesse em algumas delas, busque-se conhecer mais sobre seus potenciais e limitações. No final do texto, você encontrará alguns links nos quais poderá se informar melhor sobre o assunto.

Vale lembrar que o uso dessas técnicas não vai necessariamente substituir o tratamento convencional, mas, na maioria das vezes, complementá-lo. É importante conversar com seu médico ou psicólogo antes de resolver aderir a uma dessas alternativas.

 

Yoga

KidsYoga

Uma criança hiperativa praticar Yoga pode soar absurdo. Se os portadores de TDAH tem dificuldade para ficar parados e concentrados, como poderiam ser adeptos de uma atividade focada no relaxamento e manutenção de posturas corporais? Porém, pensando por outro lado, o quadro parece mais interessante, afinal, o relaxamento, a concentração, a calma inerentes à prática da Yoga, costumam ser exatamente o que essas crianças precisam aprender.

Pode ser difícil no início. Inclusive, para grande parte dos casos, estar medicado pode ser uma condição essencial para viabilizar a atividade, ao menos no início. Outro fator que favorece a adesão das crianças é trabalhar a Yoga de forma mais lúdica, com a proposta de jogos e brincadeiras com as posturas, que ganham nomes que estimulam a imaginação da criança (postura do macaco, do elefante, etc.). Mesmo assim, os resultados podem demorar a aparecer: é necessário persistência por parte da criança e dos pais.

No entanto, uma vez que os praticantes habituam-se aos exercícios, os benefícios são grandes, manifestando-se nos três domínios do TDAH: impulsividade (realizar as posturas com calma, esperando o momento para passar para a próxima), hiperatividade (o relaxamento contribui para diminuir a inquietação) e desatenção (aprendendo, através da concentração nas posturas, a focar sua atenção em uma única coisa, sem focar nos outros estímulos ao redor). A prática frequente também pode resultar numa melhora na qualidade do sono (que costuma ser conturbado para os portadores do transtorno).

Os exercícios de respiração, meditação e concentração, também podem ser transpostos para o dia-a-dia, sendo utilizados para manter a calma perante conflitos (controle da impulsividade), antes ou durante eventos estressantes como provas escolares (aumento da calma e da atenção), entre outras estratégias que podem se utilizadas para lidar com dificuldades. É importante que o instrutor, que deve ser um profissional competente, oriente bem seus alunos e os ensine a fazer essa transição, generalizando os ganhos obtidos na prática do Yoga para as outras áreas de sua vida.

Xadrez

Father and son playing chess - family spending time together

Outra vez, uma situação que pode parecer difícil de imaginar: uma criança hiperativa sentada por grandes períodos de tempo, focada num jogo que exige um alto grau de concentração e planejamento. No entanto, o jogo de xadrez pode também ser um grande aliado da pessoa com TDAH, desde que apresentado no tempo e contexto adequados. Novamente se fará necessário que a criança já esteja recebendo algum tipo de tratamento, para que tenha condições de envolver-se com a atividade. Caso contrário, é provável que o portador de TDAH simplesmente não consiga manter-se jogando ou não se interesse o suficiente, o que resultará em frustração e minará qualquer chance de sucesso no emprego do xadrez no tratamento.

Além da melhora nos três sintomas nucleares do TDAH, a prática regular e sistemática do xadrez ajuda na criação de hábitos, que é algo muito importante de se desenvolver nas crianças em idade escolar, visto que facilitará o desenvolvimento do hábito de estudos, por exemplo. Aprende-se também a desenvolver a capacidade de tomada de decisões. Na vida, por vezes pagamos caro por decisões erradas; num jogo, as consequências limitam-se ao desenvolvimento da partida. Aprender a parar, pensar, antecipar consequências e desenvolver/adequar um plano é uma habilidade de vida essencial, que muitas vezes encontra-se prejudicada pela impulsividade característica da pessoa hiperativa.

O fato de ser um jogo a dois também beneficia as interações sociais. É comum que, ao final da partida, os jogadores discutam o seu desenvolvimento, compartilhando impressões e discutindo estratégias e possibilidades. Além disso, o xadrez também exercita a tolerância a frustração (quem já jogou sabe o quanto uma partida pode ser frustrante!) e ajuda a regular as emoções que as acompanham, desenvolvendo controle da impulsividade. Por fim, há um claro ganho no desenvolvimento da memória visual, processual e de trabalho, visto que se deve memorizar padrões de jogadas tanto para utilizá-las quanto para predizer os movimentos dos adversários.

 

Neurofeedback

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Nossa atividade cerebral pode ser medida por meio dos tipos de ondas elétricas geradas enquanto nos engajamos em alguma tarefa. Pode parecer complicado, mas na prática, podemos dizer que nosso cérebro se comporta de maneiras diferentes dependendo do tipo de atividade na qual nos engajamos. Nas pessoas com TDAH, há um aumento na presença de ondas theta, que são referentes a atividade e excitação, enquanto aparecem pouco as ondas beta e alpha, relativas ao relaxamento e à concentração, respectivamente. O neurofeedback consiste num treinamento neurocomportamental para o desenvolvimento de autocontrole sobre os padrões cerebrais.

Para tal, eletrodos são fixados ao couro cabeludo do indivíduo e registram sua atividade cerebral, que é analisada em tempo real por um programa de computador. Essa análise é traduzida em forma de imagens numa tela, geralmente assumindo um formato parecido com o de um video-game, no qual você ganha pontos conforme suas ondas cerebrais se aproximam do padrão desejado. Dessa forma, a pessoa é treinada a modificar sua atividade cerebral de modo a entrar num estado de maior atenção. É um aprendizado gradual, que requer diversas sessões para que o progresso resulte em mudanças significativas para a pessoa.

A eficiência do tratamento depende da motivação e engajamento do paciente, o que não costuma ser problema para as crianças com TDAH, pois, geralmente, a possibilidade de jogar um video-game sem controles, apenas com o “poder da mente”, é bastante atraente para crianças e adolescentes. Entre os benefícios dessa técnica podemos citar: aumento no ritmo de aprendizagem, melhora da memória de curto prazo, aumento da concentração, melhora na gestão do estresse e superar o medo do fracasso, melhora na velocidade de processamento de informações, melhores resultados em atividades artísticas e vísuo-espaciais, aumento na motivação, aumento da plasticidade neuronal (capacidade do cérebro de se adaptar a novas situações).

 

Project Neumann

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Um grupo de pesquisadores do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o departamento de Medicina Molecular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a Duke University, dos Estados Unidos, está desenvolvendo uma série de jogos eletrônicos que têm como objetivo treinar habilidades deficitárias em portadores do TDAH.

Um grande fator que atrapalha o sucesso dos tratamentos convencionais para o transtorno é a falta de motivação da criança para aderir a ele. E foi pensando nisso que o neuropsicólogo Thiago Rivero resolveu planejar um instrumento que fosse atraente para os pequenos e eficiente no desenvolvimento de aspectos importantes da cognição, como o controle inibitório, normalmente falho em quem tem o TDAH.

O projeto, batizado Project Neumann, consiste, na verdade, em quatro diferentes jogos, sendo que cada um conta com um herói e um vilão próprios, e se relaciona a um domínio cognitivo específico: dificuldade de focar atenção, dificuldade de controlar impulsos motores, dificuldade de ignorar distrações e dificuldade no controle do planejamento. Além de treinar essas habilidades, o jogo pretende ser uma ferramenta de sua avaliação, contando com um sistema que permite gerar gráficos e relatórios de desempenho no fim de cada fase para ajudar a monitorar a evolução dos jogadores.

 

Video-Games

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OK, então está em desenvolvimento um jogo que tem por objetivo ajudar as crianças com TDAH. Mas e quanto aos outros jogos eletrônicos? Esses que existem em disponibilidade quase infinita nas lojas e na internet? Também ajudam a desenvolver essas competências ou são prejudiciais para a criança que sofre com desatenção e hiperatividade? A resposta para essas perguntas não é simples e nem única. Podemos começar explicando como pode uma criança que não consegue ficar cinco minutos em silêncio, prestando atenção numa aula, passar horas sentada no sofá em profunda concentração num jogo eletrônico.

Grosso modo, podemos dizer que nossa atenção é mantida por recompensas. Quando achamos algo interessante, estamos sendo “recompensados” por manter nossa atenção. Os jogos eletrônicos são desenvolvidos de forma a dar recompensas quase que o tempo todo: marcamos pontos, concluímos desafios, obtemos vidas extras, evoluímos o personagem da forma como queremos, derrotamos oponentes. Tudo isso acaba por manter nosso envolvimento de forma extremamente eficiente. Algo que muitas vezes não acontece, por exemplo, numa aula de uma matéria que não temos nenhum interesse, ministrada por um professor monótono que não envolve os alunos nem faz nada para deixar sua exposição mais interessante.

Os jogos eletrônicos estão disponíveis de forma extremamente variável. Existem jogos de se jogar sozinho ou com mais pessoas, cooperativos, competitivos, sociais, complexos e longos, simples e casuais, enfim, estamos num ponto onde o avanço tecnológico permite transformar basicamente qualquer ideia em jogo. Quando pensamos em seu efeito numa pessoa com TDAH, devemos então, pensar em quais características deve ter um jogo que beneficiará as habilidades deficitárias do portador. Assim, os jogos mais adequados seriam os sociais, cooperativos, que possibilitam uma progressão de conquistas e do nível de dificuldade dos desafios, evolução do personagem e com feedback do desempenho do jogador.

Os jogos que possuem essas características estimulam o desenvolvimento de diversas capacidades no jogador, como a noção de tempo e planejamento, raciocínio vísuo-espacial, controle da impulsividade e comportamento social, no caso dos jogos sociais. Além disso, constituem um ótimo exercício para a concentração e para a motivação e persistência na tarefa, visto que, normalmente, são dadas diversas chances para que o jogador consiga alcançar seus objetivos.

Para além do jogo em si, o hábito de jogar video-games traz oportunidades que podem ser aproveitadas pelos pais: o estabelecimento de rotina e respeito às regras, quando se estabelece um limite de tempo diário para os jogos, ou condições para ter acesso a eles (por exemplo: só poderá jogar video-game depois que arrumar o quarto e terminar as tarefas da escola); e a aproximação entre filhos e pais, quando estes se interessam pelo jogo, jogando junto com suas crianças ou simplesmente assistindo e demonstrando seu interesse através de perguntas, comentários e elogios ao seu desempenho.

Por fim, ainda há a possiblidade de ganhos para a autoestima, domínio muitas vezes afetado nos portadores de TDAH, visto sua dificuldade em completar algumas tarefas simples do dia-a-dia ou da escola, que são completadas sem grandes dificuldades por outras crianças. Obter sucesso no jogo ajuda a diminuir a sensação de incapacidade perante os desafios.

 

Mindfulness

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Podemos definir Mindfulness (“atenção plena”, ou “consciência plena”) como a capacidade de prestar atenção no momento presente, sentir o agora, sem pensar demais ou estabelecer juízos de valor. A técnica foi criada no fim da década de 1970 pelo professor de medicina norte-americano Jon Kabat-Zinn, que pretendeu adaptar a meditação do Zen Budismo à realidade ocidental, ao perceber seu enorme potencial para a saúde. São práticas simples, sem viés religioso, que podem ser exercitadas em qualquer lugar, mesmo por períodos de tempo bem curtos.

A meditação altera nossa fisiologia, diminuindo o ritmo cardíaco, consumo de oxigênio, melhorando a qualidade do sono, a produção saudável de hormônios e, acima de tudo, a nossa atenção ao momento. Aprendemos a dar conta de onde está nossa mente e trazê-la de volta para onde devemos nos concentrar. Estudos comprovam a eficiência desta técnica também para o desenvolvimento do controle de impulsividade e memória. Os tratamentos com a aplicação de Mindfulness usam programas estruturados com duração média de 8 a 10 semanas.

 

Fontes:

Yoga

http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u4192.shtml

http://www.fundacioncadah.org/web/articulo/beneficios-del-yoga-en-ninos-con-tdah.html

Xadrez

http://www.fundacioncadah.org/web/articulo/tdah-y-ajedrez-rehabilitacion-cognitiva-.html

Neurofeedback

http://www.fundacioncadah.org/web/articulo/neurofeedback-que-es-en-que-consiste-es-eficaz-para-tratar-el-tdah.html

Project Neumann

http://agencia.fapesp.br/videogame_pode_se_tornar_aliado_no_tratamento_do_tdah/17888/

http://blogs.estadao.com.br/link/psicologos-usam-game-contra-deficit-de-atencao/

Video-Games

http://www.fundacioncadah.org/web/articulo/los-videojuegos-en-el-tratamiento-del-tdah.html

Mindfulness

http://www.diariodaregiao.com.br/vidaeestilo/mindfullness-%C3%A9-nova-t%C3%A9cnica-contra-estresse-ansiedade-e-depress%C3%A3o-1.30260

http://www.fundacioncadah.org/web/articulo/tdah-mindfulness.html

 

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