Lidando com as emoções infantis

mad-coping-skills-boy-canstockphoto12550635.jpg

As emoções podem ser algo difícil de lidar. Sobre isso, acredito que ninguém tem dúvidas. Creio, no entanto, que a maioria de nós se esquece do tamanho do desafio que isso representa na infância. Se, como adultos, já sofremos para entender e lidar com nossos sentimentos, como fica essa situação para um ser ainda em formação, que não sabe nem dar nome àquilo que está sentindo?

Se os pequenos têm dificuldades nesse tipo de situação, o mesmo é verdade para aqueles que são responsáveis por ele. Não podemos, porém, perder o foco de quem é quem nessa relação: é esperado que uma criança pequena, cheia de raiva por ter que parar de brincar pra tomar banho, esperneie, grite e fique agressiva, enquanto um adulto não pode ceder dessa forma aos seus impulsos. Mas atenção: dizer que esse tipo de reação é esperado, não é o mesmo que afirmar que ela é correta ou deve ser tolerada, mas sim que deve ser compreendida e trabalhada.

E essa é a regra pra lidar com qualquer sentimento de crianças de qualquer idade: compreensão. Devemos, em primeiro lugar, escutar, acolher, entender o que o pequeno está sentindo. Pedimos que ele nos conte a situação, e, para mostrar que compreendemos (e conferir se realmente entendemos o que a criança está tentando dizer), repetimos em outras palavras: “então quer dizer que seu amiguinho quebrou seu brinquedo preferido, e por isso você está com raiva dele? Poxa, acho que eu também me sentiria assim!”. O nome disso é “escuta espelhada”, e mostra para a criança que estamos prestando atenção no que ela diz e nos esforçando para entendê-la.

Outra indicação muito importante é nunca invalidar ou ignorar o que a criança sente, mesmo que para você não faça o menor sentido. Se seu filho sente-se triste porque você está saindo pra ir à padaria, por acreditar que não vai mais voltar, respeite essa aflição e converse a respeito dela. Se for possível, leve-o com você. Um sentimento muitas vezes tratado levianamente pelos pais é o medo. O que é imaginário para você, é muito real para uma criança pequena! Se você obriga sua filha a dormir sozinha num quarto onde, ela tem certeza disso, há um monstro embaixo da cama, saiba que estará proporcionando para ela uma noite de puro terror! Dizer que monstros não existem não ajuda em nada, e ainda ensina pra criança que seus sentimentos e seu sofrimento não são relevantes.

Ensinar o nome dos sentimentos também é algo que deve ser feito. Saber do que se trata aquele aglomerado de sensações físicas estranhas ajuda a lidar com elas. Converse com seu filho: sabendo o que aconteceu e as sensações que aquilo causou a ele, podemos ajuda-lo a nomear o sentimento em questão. “Isso é arrependimento meu filho, você está chateado por ter tratado mal a sua amiga… porque não pede desculpas para ela amanhã? Você pode levar um brinquedo seu na escola para brincar com ela na hora do intervalo”. Dessa forma seu filho aprende a lidar apropriadamente com cada emoção, e a confiar em você para se abrir e contar o que lhe acontece.

Por fim, vale lembrar que crianças aprendem muito com o modelo dos adultos, principalmente dos pais. Não adianta você recriminar sua filha por gritar com você quando tem raiva, se você também berra quando ela faz algo errado. Ser pai e mãe é isso: procurar ser uma pessoa melhor, ser aquela pessoa que você deseja que seus filhos sejam.

Pro Gabriel Baptista – Psicólogo – CRP 06/127340

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s