Um novo olhar sobre um novo semestre

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Agosto se aproxima, e um novo semestre se inicia. Após algumas semanas de descanso, é necessário re-estabelecer a rotina, regular os horários de sono e de alimentação, re-inserir atividades escolares e acadêmicas no cotidiano. Esse processo pode ser bastante desanimador em alguns casos. Bate um cansaço, uma preguiça, uma vontade de ter mais férias… Porém, por mais comum que isso seja, não é assim para todos os estudantes. Por quê?

A situação de férias representa a isenção de realização de algumas atividades, para que sejam realizadas outras. Normalmente, são trocadas atividades de estudo por atividades de lazer. E as férias são tão mais maravilhosas do que o período de aulas para algumas pessoas porque no período de aulas, as atividades não são agradáveis, não trazem bem-estar, não dão prazer (ao menos, não tanto quanto as atividades de lazer). Assim, nas férias, o estudante se livra de um “fardo”, o qual tem que voltar a carregar após um período de descanso. E a perspectiva de voltar a ter envolvimento com atividades que podem ser descritas como um “fardo” tem como consequencias frequentes o desânimo e a desmotivação. O fato de ser recente o contato com atividades de lazer faz com que as atividades escolares pareçam, inclusive, mais desgastantes do que elas de fato são, já que acaba ocorrendo um processo similar a uma comparação entre o prazer das férias e o menor prazer do período de aulas.

E nos casos em que isso não acontece, em que o estudante fica feliz por retomar as atividades de estudo? Bem, podemos dizer que esse estudante estabeleceu uma relação positiva com seus estudos, de forma que as atividades relacionadas ao período de aulas são, para ele, atividades prazerosas – tão ou mais prazerosas do que as atividades de lazer que ele tem nas férias.

A diferença entre esses dois alunos se deve a diversos fatores. O comportamento de estudo é um comportamento bastante complexo, e o fato das atividades compreendidas no estudar serem prazerosas para algumas pessoas e desagradáveis para outras tem a ver com inúmeros motivos, que podem acontecer no âmbito do ambiente em que as atividades ocorrem, das atividades em si e do que acontece depois das atividades realizadas. Isso vai desde o resultado acadêmico em si (boas ou más notas, aprovação ou não no vestibular, a aprendizagem em si) até as interações sociais presentes em um ou outro contexto (contato com amigos, por exemplo, maior ou menor durante as férias).

Como qualquer comportamento complexo, portanto, a relação de cada um com a volta às aulas é única, e o desânimo ou desmotivação deve ser analisado à luz desses múltiplos fatores, o que não é tarefa simples e pode requerer ajuda de profissionais. É comum que “o buraco seja mais embaixo”, e na análise acabemos nos deparando com problemas no cotidiano escolar que estão além do controle imediato do estudante ou dos pais.

Assim, não existe uma fórmula mágica para que a volta às aulas seja uma alegria e não um fardo. Mas há algumas pequenas alterações no cotidiano que podem auxiliar a re-adaptação do estudante à rotina escolar. Num geral, as dicas se relacionam com retomar aos poucos elementos da rotina escolar na última semana, mais ou menos, de férias.

Claro que, se a rotina escolar for fonte de desprazer, a tendência é que se queira adiar o máximo possível a retomada dessa rotina. Porém essas pequenas re-adaptações terão um efeito positivo de diminuir a sensação de desprazer e desmotivação, sendo medidas graduais que fazem com que o contraste entre as férias e as aulas seja menor, reduzindo, assim, a ansiedade e o desânimo pela volta às aulas.

Vamos a algumas dicas para a semana anterior à volta às aulas:

1) Se você estuda de manhã, comece a dormir e acordar mais cedo, adequando os horários de sono. Isso fará com que sinta menos sono e cansaço nas primeiras aulas do semestre, aumentando o rendimento e tornando-as mais interessantes.

2) Se os horários das refeições mudaram muito durante as férias, procure retomar os horários habituais do período de aulas. Isso evitará que você sinta fome durante as aulas e as atividades de estudo. A fome atrapalha a concentração e o raciocínio.

3) Procure realizar atividades similares àquelas do período de aulas, nos horários em que faria normalmente. Por exemplo, se uma atividade de estudo era leitura, escolha um livro de lazer para ler mais ou menos no horário que você costumava estudar. E procure fazê-lo em um ambiente similar ao dos estudos. Isso vai fazer com que o ambiente cause menor ansiedade quando for necessário voltar a utilizá-lo para os estudos.

E para quando o semestre começar, procure inserir no seu cotidiano algumas daquelas atividades de lazer que você realizava nas férias, de preferência depois que você terminar as tarefas escolares do dia.

Se mesmo adotando essas práticas o início das aulas ainda for algo muito assustador ou ruim, a relação do estudante com as atividades de estudo pode estar passando por momentos complicados. Nesse caso, nada melhor do que conversar com alguém que entende do assunto e tentar desvendar todos os fatores que estão fazendo essa relação ser conflituosa e atuar para modificá-la em uma relação positiva de amizade.

Boa sorte, e um ótimo segundo semestre!

Um grande abraço,

Gabriela G. Mezzacappa.

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