A CooPsi aceita trocas. Mas… como assim?

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Como já abordamos em posts anteriores, a CooPsi é um empreendimento de economia solidária. O que significa que, interna e externamente, as relações são pautadas por princípios tais como cooperação, solidariedade e transparência. Nisso se inclui, por exemplo, o fato de explicitarmos aos nossos clientes exatamente que fatores compõem os preços de nossos serviços no âmbito das relações externas, e a autogestão no âmbito das relações internas.

Porém ser um empreendimento de economia solidária implica também na implementação de outras práticas, como o apoio a outros empreendimentos de economia solidária (por meio da participação no Fórum Municipal de Economia Solidária e da constituição de redes de comercialização e consumo) e o incentivo a práticas de consumo sustentáveis, justas, conscientes e solidárias.

Assim como outras práticas desenvolvidas por esse tipo de empreendimento, o âmbito da comercialização e do consumo também são diferentes do que estamos acostumados a ver no nosso cotidiano, porque têm a ver com a adoção de alternativas que atendam às características e aos objetivos desse modo de funcionamento socioeconômico. Assim, além da transparência na composição do preço, da parceria com outros grupos da economia solidária, da busca de consumir o mínimo de recursos possível (evitando maiores impactos ambientais) e da preferência por materiais sustentáveis e de origem de outras iniciativas solidárias, a CooPsi adota também como prática o oferecimento da possibilidade de parte do valor de nossos serviços ser paga de forma não monetária, ou seja, por meio das trocas, que podem ser de produtos ou de serviços (em breve, também  aceitaremos moedas sociais, que são emitidas de forma a triangular melhor trocas e ajudar a circular a riqueza na cidade, produzindo desenvolvimento local).

Em se tratando de prática pouco comum, especialmente quando se trata de serviços como os nossos, esse aspecto tem gerado dúvidas em nossos clientes. Como assim troca?

Antes de explicar isso, é necessário informar que o profissional que realiza os atendimentos da CooPsi fica com 80% do valor pago, os 20% restantes são depositados num fundo da CooPsi, que nos permite adquirir material, capacitar mais e, assim, podermos oferecer serviços cada vez melhores. Dessa forma, 20% do valor dos atendimentos precisa ser pago de forma monetária, para poder compor esse fundo. Os outros 80%, que são do profissional, podem não ser pagos integralmente monetariamente, ou seja, parte desse valor, a depender das necessidades de cada um de nós, pode ser paga na forma de trocas.

As trocas nada mais são do que a obtenção direta do bem ou serviço necessário, mediante o oferecimento de um produto ou serviço de necessidade pela outra parte da operação de troca. Assim, por exemplo, em feiras, troca-se sabonete artesanal por ovos orgânicos, sem necessidade de usar dinheiro, sendo as quantidades acordadas entre quem dá os ovos e quem dá o sabonete, de acordo com o valor que ambos consideram justo. Da mesma forma, é possível trocar serviços. Eu posso oferecer um pacote de atendimentos em troca, por exemplo, da pintura da minha casa, ou de serviços de salão de beleza, desde que essas sejam necessidades minhas. Aí se dá a troca, de forma direta. Como estamos falando de serviços cujos valores podem não ser equivalentes, combina-se a partir de uma conta simples:

O meu pacote com quatro atendimentos (80% do valor total) vale, por exemplo, R$400. A pintura do meu portão vale, para quem fará o serviço em troca dos atendimentos, R$200. Então, o meu cliente pintaria o meu portão, eu faria os atendimentos, e ele teria que me pagar monetariamente apenas R$200. Outro exemplo, meus atendimentos valem R$400, um corte e pintura de cabelo valem R$80, e minha cliente (que é cabeleireira) não pode pagar um grande valor financeiramente, podemos acordar então que ela me paga monetariamente apenas os 20% que vão para o fundo da CooPsi, e o restante me dá direito a cortar e pintar o cabelo no salão dela cinco vezes. E assim por diante.

Uma grande dificuldade que os clientes têm é em pensar: o que eu tenho a oferecer em troca? A resposta é: qualquer coisa que você saiba fazer, pode ser um bolo de aniversário, uma consulta dentária, uma serenata, desde que, na conversa com o profissional da CooPsi o que você tem a oferecer venha a sanar uma necessidade do profissional que está te atendendo. Assim, ambos os lados saem ganhando. Não é algo fácil de pensar, pois não é uma prática que está amplamente presente em nossa cultura. Mas os benefícios existem, tanto para o seu bolso, quanto em termos de necessidades de ambos os lados da transação serem atendidas com base em uma estratégia que dispensa o uso de dinheiro e que constitui uma alternativa condizente com os princípios da economia solidária que a CooPsi procura fortalecer em sua atuação: relações baseadas na cooperação, na solidariedade, na transparência, na justiça, no consumo solidário…

Ficaram dúvidas? Deixe um recado para a gente, teremos o maior prazer em discuti-las e, se possível, solucioná-las! Se preferir, mande-nos um e-mail.

Um grande abraço!

Equipe CooPsi

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Quer entender melhor o que quer dizer ser um empreendimento de economia solidária? Acesse nosso post: Empreend… O quê?

Fonte da imagem: http://feiradetroca.wordpress.com/

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