Coisa de louco, conselhos da vovó, e as diferentes práticas da psicologia

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A psicologia é uma área profissional relativamente recente, embora pesquisas relacionadas com o tema da consciência ou da mente humana existam desde há muito tempo. Esse fato faz com que, muitas vezes, haja confusões a respeito da atuação do profissional de psicologia.

A concepção comum a respeito do nosso trabalho já avançou bastante. Há não muito tempo, consultar um psicólogo era “coisa de gente doida”. Com o trabalho de uma ampla gama de profissionais para a desmistificação da loucura, as patologias mentais têm ganhado cada vez maior reconhecimento como formas diferentes de funcionar, como os sofrimentos psíquicos que são, embora ainda seja comum a associação da chamada “loucura” com aspectos socialmente inaceitáveis exagerados (por exemplo, ainda é comum acreditar que psicóticos são, em geral, perigosos). Além disso, ainda existem preconceitos ou grandes resistências com relação ao sofrimento psíquico (por exemplo, considerar que a depressão ou outras patologias graves sejam “coisa de gente fraca”). Ainda assim, cada vez mais a sociedade admite o trabalho do psicólogo como desejável e aceitável para qualquer pessoa que deseje, desde o auto-conhecimento, até a mitigação de seu sofrimento de forma construtiva. E isso é ótimo!

Mas o trabalho do psicólogo abrange muito mais do que o atendimento clínico ou a psicoterapia. O intuito do post de hoje é ajudar a fazer uma distinção entre o trabalho psicoterapêutico e os famosos “conselhos de mãe” ou “conselhos de avó”, e entre o atendimento em psicoterapia e atendimentos em orientação e acompanhamento, visto que muitas pessoas nos procuram no intuito de realizar psicoterapia, o que não faz parte, por enquanto, de nosso escopo de atuação.

Começando do princípio: quais são as grandes diferenças entre o aconselhamento por um familiar ou amigo e a psicoterapia? Não é que os psicólogos resolveram aplicar o dito “se conselho fosse bom, não era dado, era vendido”. As diferenças existem e não são pequenas. Em primeiro lugar, o conselho da vovó advém de uma experiência de vida de longos anos, e pode ser baseado tanto em situações vividas pela pessoa quanto em situações hipotéticas, premissas estabelecidas por motivos diversos e nem sempre fundamentadas em fatos. Isso não invalida os conselhos, desde que sejam encarados como eles são: conselhos! São pessoais, e como quaisquer impressões pessoais, podem ser muito úteis, mas também podem ser incorretas. Assim, devem ser tomados com muita parcimônia e reflexão. O atendimento psicoterapêutico é derivado de inúmeros estudos em  séculos de pesquisas a respeito do funcionamento humano, realizados em diversos contextos, fazendo com que essa seja uma prática (quando bem realizada) cientificamente fundamentada. Além disso, aproveitando os ditos populares, “santo de casa não faz milagre”. O que significa que a relação terapêutica é muito diferente da relação afetiva entre familiares e amigos, o que favorece muito o envolvimento da pessoa em sua própria melhora e com maior eficiência do que em uma relação familiar ou fraternal.

Dito isto, qual é a diferença entre o atendimento psicoterapêutico e a orientação ou acompanhamento psicológico? No atendimento psicoterapêutico, que é na maioria das vezes um processo longo, o indivíduo pode trabalhar os mais diferentes aspectos de sua vida, com aprofundamento em cada um deles, em especial naqueles eventos e condições que são relacionadas ao sofrimento. Assim, é um processo profundo, longo, mas geral. Já os processos de orientação são voltados a aspectos específicos da vida da pessoa, em geral têm duração mais curta, e fazem uso de técnicas desenvolvidas especificamente ao fim a que se destinam. O profissional vai conhecer o problema ou a questão a ser trabalhada, iniciar uma intervenção no sentido de ensinar o indivíduo a lidar com aquilo.

Já o acompanhamento, como diz o nome, também é focado em aspectos específicos (por exemplo, o estudo), mas vai além da orientação: o profissional acompanha o cliente, durante o tempo necessário, para que este aprenda a lidar com a questão. As técnicas de acompanhamento são bastante diversas daquelas utilizadas na orientação e na psicoterapia.

Por exemplo, na CooPsi, ensinamos os clientes a estudar melhor, e é esperado que a partir dessa orientação ou acompanhamento (que é personalizada) eles possam continuar estudando bem e desenvolvendo outros hábitos de estudo adequados a cada situação que possa aparecer no futuro. O mesmo ocorre com a orientação profissional, nós ensinamos a pessoa a tomar uma decisão (no caso, que carreira seguir), com base em todos os elementos que fazem parte dessa escolha.

 

Assim, embora tanto o atendimento psicoterápico, quanto a orientação e o acompanhamento psicológico tenham aspectos comuns, como o sigilo profissional, a possibilidade de atuação segundo diversas vertentes teóricas e a formação de um vínculo positivo entre o cliente e o profissional, esses tipos de atuação do psicólogo têm diferenças muito importantes.

A atuação do psicólogo abrange, portanto, o atendimento psicoterapêutico, mas é muito mais ampla. Nesse post, abordamos apenas os tipos de atuação que costumam sofrer ainda alguma confusão no âmbito do atendimento individual ou de grupos de indivíduos em sua vida pessoal. Há ainda a atuação junto a instituições, como escolas, empresas, associações, governos, hospitais, tribunais… Cada uma delas com características distintas, mas com o objetivo comum de auxiliar o ser humano a viver melhor consigo mesmo e em suas relações com os outros seres humanos e com o seu ambiente, melhorando as condições de vida e mitigando, tanto quanto possível, o sofrimento.

Um grande abraço!

Equipe CooPsi

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