TCC, TCC, existe tortura maior que você?

Há dois meses foi publicada no site do jornal Folha de São Paulo uma matéria (para ler, clique aqui) sobre uma aluna que forjou seu próprio sequestro para não ter que entregar o Trabalho de Conclusão de Curso – TCC. A aluna, de 22 anos, desapareceu no dia em que deveria entregar seu trabalho e só reapareceu na noite seguinte. Ela cursava Pedagogia.

Como temos abordado o controle aversivo na educação, julgamos interessante criarmos esse post para mostrar o potencial negativo do uso de tal estratégia. Na matéria, a aluna relata que queria evitar brigas com a mãe por não ter entregado o trabalho. Além disso, está subentendido que, estudando em faculdade particular, ela estaria sujeita a alguma sanção financeira, nem que seja pagar novamente a disciplina do trabalho para refazê-lo.

É importante lembrar que o uso de castigos, repreensões ou quaisquer consequências negativas para um comportamento tende a fazê-lo diminuir de frequência. Isso não quer dizer que vá fazer o comportamento oposto ocorrer. Explicamos: brigar com a filha porque ela não concluiu o trabalho não necessariamente aumenta as chances de a estudante entregar o trabalho no prazo. Há uma considerável distância entre não fazer o inadequado e fazer o adequado.

No caso, a aluna apresentou variabilidade: provavelmente suas estratégias para não entregar o trabalho fracassaram e, diante disso, ela adotou uma nova – forjar o próprio sequestro –, também fracassada. Vale notar a magnitude do esforço que tem sido feito para a aluna não deixar de entregar o TCC em vez de ajudá-la a concluir o trabalho. Não podemos dizer que nada foi feito nesta direção, mas podemos afirmar que não foi o suficiente.

Instituições de ensino precisam atentar para padrões comportamentais como o dessa aluna, antecipando-se e oferecendo alternativas que garantam a ocorrência do comportamento adequado (melhor desempenho acadêmico, maior frequência às aulas, conclusão de trabalhos, cumprimento de tarefas e acordos, etc.). Quando isso não é feito, deixamos de formar pessoas e passamos apenas a selecioná-las.

Equipe CooPsi

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